O Papa e Trump: líder que une e líder que mata - Ponto de Vista Semanal - Frei José Fernandes, OP
- Frei José Fernandes

- há 2 dias
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Fico imaginando não ser nada fácil ser Papa em tempos de grande ascenção da direita e da extrema direita no mundo! Pois é, Leão 14, com seu estilo próprio, vem sinalizando que continuará o caminho de seu antecessor, o Papa Francisco. Leão, nascido nos Estados Unidos e cidadão peruano por opção evangélica, como migrante cruzou fronteiras geográficas, culturais e ideológicas. Possui uma vasta experiência pastoral e também institucional; vem demonstrando ser socialmente comprometido com pautas a favor da humanidade e da nossa Casa Comum. Como frade agostiniano, traz a herança de sua formação religiosa. Sua escolha pelo nome aponta para um forte simbolismo, pois remete a Leão 13, um dos papas de destaque do Ensino Social da Igreja.
Sua firmeza política, por mandato evangélico, tem me surpreendido, especialmente frente ao confuso, desequilibrado, estúpido, arrogante, mal-educado, imperialista e irracional presidente dos Estados Unidos e seu vice, que carregam em suas histórias serem os assassinos de mais de três mil iranianos e que continuam apoiando o também genocídio de Israel contra a Palestina, deixando em torno de 70 mil mortos. Salvo as devidas proporções, é o mesmo comportamento do filhote deles, o ex inquilino do Palácio do Planalto.
Leitores e leitoras, a resposta do Papa foi esta: “não tenho medo da administração deles e nem de falar abertamente a mensagem do Evangelho”. Disse isso e segue tranquilo sua viagem missionária pela África, até amanhã. Tirou de letra e pronto! Para o mundo político até parece que o pontificado de Leão 14 começou há uma semana, quando gritou “ser inaceitável” àquele inominável que propôs a “acabar com a civilização do Irã”. A tempestade desse “dito cujo”, ocorreu um dia após Leão 14 ter presidido em Roma, uma Vigília de Oração pela Paz. E, a partir daí o Papa Leão, como João Batista, vem advertindo os poderosos: "Basta com a idolatria de si mesmo e do dinheiro! Basta com a exibição da força! Basta com a guerra! A verdadeira força se manifesta em servir à vida". E assim tem sido sinal de esperança para os pobres.
O Papa Francisco já andava à contramão deste pretenso dono do mundo, especialmente por suas posições ecológica, anticapitalista e crítica às políticas antimigratórias. Leão 14 vem denunciando com coragem evangélica, especialmente nos últimos dias, as guerras, os conflitos armados, os sofrimentos do povo e a crescente escalada da violência. Sua incansável pregação é a construção da cultura da paz, a paz “desarmada e desarmante”.
Leitores e leitoras, trago aqui um lembrete de Frei Betto, ao comentar sobre a atual crise diplomática entre o líder que une e o líder que mata: “durante a prisão dos frades dominicanos no Brasil” – disse o Betto – “quando fomos acusados de ‘terrorismo’ pela ditadura militar e condenados a quatro anos de cárcere, o Papa Paulo 6º nos deu total apoio e nos enviou, de presente, um rosário”. Continua Frei Betto, “várias vezes Paulo 6º criticou as violações dos direitos humanos no Brasil e respaldou a atitude profética de bispos que denunciaram o regime militar, como dom Helder Câmara, dom Paulo Evaristo Arns e dom Pedro Casaldáliga”.
Amanhã completa um ano da Páscoa do Papa Francisco. Que o legado dele e a firmeza do Papa Leão 14 nos animem a proclamar com Santo Agostinho: "A esperança tem duas filhas lindas, a indignação e a coragem; a indignação nos ensina a não aceitar as coisas como estão; a coragem, a mudá-las".
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