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FALA DE DOM JEOVÁ ELIAS NO LANÇAMENTO DO LIVRO "O DOM DA FELICIDADE"CIDADE DE GOIÁS – FICA, 20 de junho de 2026


É com imensa alegria que me dirijo a vocês nesta manhã tão especial, na histórica e bela Cidade de Goiás, patrimônio da humanidade, durante este prestigiado FICA. Saúdo, de modo particular, a jornalista Ana Helena Tavares, autora desta corajosa e necessária obra; saúdo as autoridades presentes, os pesquisadores, os amigos e amigas que vieram prestigiar este momento, e todos aqueles que, assim como Dom Tomás, dedicam a vida à defesa dos mais pobres e à construção de um mundo mais justo.


Estamos aqui para lançar o livro "O Dom da Felicidade" - as lutas e os voos de Dom Tomás Balduíno. E que dom precioso é este que a Ana Helena nos traz! Ela não apenas escreveu uma biografia; ela cavou fundo na memória viva da nossa Igreja, vasculhou os arquivos da nossa Diocese de Goiás e outras fontes, e nos presenteia com o fruto dessa pesquisa. Por isso, meu profundo agradecimento a ela, que soube recolher os vestígios desse profeta e transformá-los em palavras que agora voam para o coração do povo.


Como nos ensina o livro dos Provérbios, “a memória do justo é bendita, o nome dos ímpios apodrece” (Pr 10,7). E a memória de Dom Tomás Balduíno é, de fato, bendita. Bendizer sua memória não é guardá-la numa prateleira empoeirada. É fazê-la arder novamente. É reconhecer que as bandeiras que ele levantou não são relíquias do passado, mas desafios urgentes do presente.


As bandeiras defendidas por Dom Tomás continuam a tremular. Ele ressoa no grito do camponês sem-terra, na luta dos indígenas pela demarcação de seus territórios e na voz de todos os que são silenciados pela injustiça. O livro que hoje é lançado nos convida a não apenas lembrar de Dom Tomás, mas a atualizar o seu gesto profético: colocar a Igreja a serviço da vida, especialmente dos que mais sofrem.


Não tive a graça de conhecer Dom Tomás pessoalmente, mas tenho a honra e a responsabilidade de dar continuidade à seara que ele cultivou. E, ao percorrer os escritos e a memória viva do nosso povo, vejo com clareza a atualidade do seu pensamento.


Ao assumir o pastoreio nesta Diocese, em 17 de dezembro de 1967, na Catedral de Santana, Dom Tomás já sinalizava o rumo do seu ministério. Inspirado pelo Concílio Vaticano II, ele nos falava de uma Igreja Una, Santa, Católica e Apostólica. Mas não como conceitos frios. Ele queria uma Igreja una na diversidade, aberta às culturas; uma Igreja santa no amor, não no cumprimento vazio de regras; uma Igreja católica que quebra barreiras e acolhe todos, como uma casa de portas abertas; e uma Igreja apostólica encarnada no chão da história, que se faz fraca com os fracos e pobre com os pobres.


Ele já acolhia, naquela época, a novidade da sinodalidade, sinalizada pelo Concílio Vaticano II e retomada com o empenho do Papa Francisco. Uma Igreja onde bispos, padres e leigos caminham juntos na igual corresponsabilidade. Esse desejo se concretizou aqui, na nossa Diocese de Goiás, com as grandes assembleias e o protagonismo do povo de Deus.


Dom Tomás não se limitou a belas palavras. Ele agiu. Lutou pela terra para quem nela vive e trabalha. Enfrentou a ditadura, defendeu os direitos humanos e nos ensinou aquela frase que ecoa até hoje, mas que precisa ser vivida: “Direitos humanos não se pede de joelhos, exige-se de pé”.


Para desempenhar com eficácia seu ministério, ele se preparou para além dos estudos ordinários: estudou antropologia, aprendeu línguas indígenas, aprendeu a pilotar avião para alcançar os territórios mais distantes, onde fosse necessária a sua presença solidária. Tudo porque acreditava que a fé cristã exige a defesa da vida em plenitude, especialmente onde ela é mais ameaçada.


Enfrentou tensões, perseguições e ameaças. Mas foi feliz, porque a felicidade verdadeira, a que dá nome a este livro, não está na ausência de conflitos, mas na fidelidade ao Evangelho. Ele foi feliz por estar entre os perseguidos por causa da justiça, porque, como nos ensina Jesus, “deles é o Reino dos Céus” (Mt 5,10).


As tensões que ele enfrentou estão reacesas, agora com mais complexidade, especialmente nesse tempo de domínio das mídias sociais e da manipulação que exercem sobre as pessoas. Por isso, o livro da Ana Helena não é apenas um relato do passado; é uma ferramenta de luta para o presente.


Bendizemos a Deus pela vida de Dom Tomás, e agradecemos à jornalista Ana Helena Tavares por resgatar essa memória com perspicácia e rigor histórico. Que este livro nos inspire a continuar semeando justiça, esperança e amor. Que, como Dom Tomás, possamos ter a coragem de voar alto, sem nunca desgrudar os pés da terra dos pobres.


Que Deus nos abençoe!

 

Dom Jeová Elias Ferreira

        Bispo de Goiás


Para adquirir o livro, entre em contato com a autora pelo whatsapp: 21-99655-5597

O valor para todo o Brasil é 50 reais com o frete incluso,

 
 
 

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