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Por trás da Copa do Mundo - Ponto de Vista Semanal - Frei José Fernandes, OP


A Copa do Mundo está empolgando você? se a resposta depender de mim: nadinha! Mas, vamos lá! Afinal, este será o fato e o assunto mais – ou quase mais – comentado desta e das próximas semanas, mundo afora. Na próxima quinta-feira, dia 11, às 16 horas, teremos a abertura oficial. Sobre a qualidade e as possibilidades da nossa seleção, prefiro não comentar; até porque, entre tantas coisas que não entendo, o futebol é uma delas!


Só para lembrar: a primeira Copa do Mundo foi em 1930, no Uruguai. O Brasil participou, mas fez feio: ficou em 6º lugar! O país anfitrião foi o campeão. Passados 96 anos e 22 edições da Copa, esta será a primeira vez que teremos três países sediando: Canadá, México e Estados Unidos; envolvendo 16 cidades-sede, 48 seleções com 104 jogos, em quatro fusos horários diferentes e com temperaturas altíssimas: a previsão é de que o calor será enorme! O México sediará o jogo de abertura e os Estados Unidos a final, dia 19 de julho. Este formato, envolvendo três países, é inédito!


É verdade que o futebol é – ou já foi! – o esporte mais popular. Sem querer prejudicar a alegria de quem for torcer ou participar de alguma maneira, trago algumas questões, no mínimo assustadoras. Comento apenas dois aspectos: a relação capital-trabalho e a questão ambiental.


Leitor e leitora: em quais condições de trabalho são fabricadas as bolas, as chuteiras, os uniformes e as bandeiras? E isso, sem contar com a extração das matérias primas! Em relação aos ateliês de costura, muitas vezes clandestinos, aos quais se somam empresas de transporte, administrações alfandegárias, equipes, indústria publicitária, varejistas de artigos esportivos e grandes lojas; como se relacionam questões, como dignidade humana, questão salarial, respeito ao horário e ao descanso, etc?


Estudos recentes apontam que as emissões de gases de efeito estufa, em cada partida da fase final da Copa do Mundo, equivalem a mesma quantidade de 50 mil carros rodando nas estradas por um ano. Pensemos também na água e nos produtos químicos utilizados na manutenção dos estádios e demais estruturas! Sabemos que na última Copa, no Catar em 2022, as promessas – inclusive de auto sustentabilidade – ficaram nas meras propagandas. É gente! A última Copa do Mundo foi considerada “a mais suja da história”.


Em resumo, a Copa do Mundo – sem dúvida, o maior festival esportivo do planeta – é uma grande máquina comercial, geradora de enorme custo humano e ambiental. Pergunto: quem se beneficia desses custos?


Repito: não entendo de futebol, mas arrisco afirmar que este esporte está precisando de uma transformação profunda e urgente. Alguém precisa estudar – ou eventualmente publicizar mais – sobre os impactos ambientais, a corrupção, as violações dos direitos humanos, o patrocínio de empresas problemáticas ou comprometidas com o que é sujo e a lavagem de dinheiro por casas de apostas. Acabar com a Copa do Mundo é a solução? Não acredito que seja, mas que precisa mudar a maneira que ela está sendo concebida, precisa!


Ah! Além do PIX, as cores verde e amarela também são do Brasil.

 
 
 

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