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A mulher brasileira - Ponto de Vista Semanal - Frei José Fernandes, OP


Saúdo hoje, em especial a você mulher, com afeto e ternura: ontem celebramos o Dia Internacional da Mulher, apesar de que não gosto destas dedicações, como é o caso do 8 de março; afinal, a importância de vocês é sempre; a missão de vocês junto à família, à sociedade, à Política, às comunidades de igrejas e aos movimentos populares e sindicais precisa ser destacada sempre. No entanto, reconheço o valor político-pedagógico que o 8 de março tem: traz à tona discussões sobre a dignidade e o papel da mulher frente ao machismo em que vivemos. Por isso, celebrar esta data é importante para o reconhecimento da luta e organização das mulheres nas conquistas de todos os direitos para todas as mulheres e todos nós homens.


Registro aqui o meu reconhecimento e os parabéns a vocês mulheres lutadoras da cidade e do campo; que vão, cada vez mais, ocupando espaços determinantes. Reconheço também que, hoje em dia, um aspecto central da luta das mulheres – e de nós homens – é o enfrentamento à violência de gênero, uma realidade que ainda afeta milhões de mulheres. No ano passado o Brasil bateu o recorde histórico; sabe do que? De feminicídio! Sim, assassinato de mulheres; cerca de 1.500 mulheres foram mortas simplesmente por serem mulheres; quatro a cada dia! Em 97,3% dos casos, o autor do feminicídio é um homem, ou melhor, um monstro! Movimentos de mulheres, organizações sociais e políticas públicas têm sido fundamentais para denunciar essa violência, apoiar as vítimas e exigir medidas de proteção, justiça e prevenção.


Fato interessantíssimo, que precisa ser destacado, é o fato de o bispo de Cachoeiro de Itapemirim, no Espírito Santo, dom Luiz Fernando Lisboa, em novembro, ter escrito uma “Carta dirigida aos homens”, isto mesmo, “a nós homens”. Na carta ele fala: “quero lembrá-los de que a violência contra as mulheres não é apenas um drama social; é uma ferida moral, espiritual e humana, que marca famílias, destrói vidas, traumatiza crianças e humilha a dignidade dada por Deus a cada mulher”.


Leitores e leitoras, quero destacar outro aspecto da luta das mulheres: no ano passado, fui convidado pelo SINDSAÚDE – Sindicato de servidoras e servidores públicos da saúde do estado de Goiás – para contribuir com uma reflexão em vista da Conferência Nacional da Saúde. Aprendi muito, sobretudo a clareza e a garra das mulheres que lutam na construção e defesa do SUS – Sistema Único de Saúde. 


Aprendi, por exemplo: que a atuação das mulheres nos movimentos sociais, nas conferências de saúde e no dia a dia em seus territórios, foram vozes femininas que pressionaram pelo reconhecimento da saúde como um direito de todas e todos. Ao longo do tempo, mulheres estiveram à frente de mobilizações e reivindicações por trabalho digno, valorização profissional, igualdade de direitos e melhores condições de vida. Vocês mulheres são determinantes também nos espaços de controle social, como nos Conselhos e Conferências de Saúde.


Reconhecer essa história é afirmar que, sem a organização, a resistência e a participação ativa das mulheres, nos sindicatos, nos movimentos sociais, na política e no judiciário, o SUS e muitos outros direitos sociais não seriam realidade.


Minha homenagem a todas vocês mulheres a faço reverenciando a história de uma mulher muito querida minha, a Mãe Nete, de Paudalho, em Pernambuco com quem trocamos bênçãos, em agosto de 2024, última das diversas vezes que já estive na região. Mãe Nete, falecida há duas semanas, era guardiã da ancestralidade, yalorixá, rezadeira e parteira; grande resistência da cultura preta nordestina.


Leitores e leitoras, tenham uma abençoada semana!


📻 📺 O “Ponto de Vista” é, originalmente, um programa de rádio, veiculado, às segundas-feiras de manhã, pela Rádio Difusora de Goiânia. Nas segundas à tarde, o programa fica disponível na TV Causas da Vida, no YouTube, a partir das 16h. Inscreva-se no canal e fortaleça nossa missão.

 
 
 

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