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Cinquenta anos do martírio de Frei Tito




CELEBRAREMOS CINQUENTA ANOS DO MARTIRIO EM 10/08/1974 do frade dominicano Tito de Alencar Lima, OP, (Ordem dos Pregadores). O frade católico brasileiro assumiu a direção da Juventude Estudantil Católica em 1963 e foi morar em Recife, PE. Mudou-se para São Paulo para estudar Filosofia na Universidade de São Paulo (USP).


Em outubro de 1968, foi preso por participar do 30º Congresso da União Nacional dos Estudantes (UNE) em Ibiúna (SP). Fichado pela polícia, tornou-se alvo de perseguição pela repressão militar. Preso em novembro de 1969, em São Paulo, acusado de oferecer infraestrutura a Carlos Marighella, Tito foi submetido à palmatória e choques elétricos, no Departamento de Ordem Política e Social (DOPS).


Em fevereiro do ano seguinte, quando já se encontrava em mãos da Justiça Militar, foi retirado do Presídio Tiradentes e levado para a sede do centro de torturas chamado Operação Bandeirantes (OBAN). Durante três dias, bateram sua cabeça na parede, queimaram sua pele com brasa de cigarros e deram-lhe choques por todo o corpo, em especial na boca, “para receber a hóstia”.


Os algozes queriam que Tito denunciasse quem o ajudara a conseguir o sítio de Ibiúna para o congresso da UNE e assinasse depoimento atestando que dominicanos haviam participado de assaltos a bancos. Tito tentou o suicídio e foi socorrido a tempo no hospital militar, no bairro do Cambuci. Na prisão, escreveu sobre a sua tortura. O documento correu pelo mundo e se transformou em símbolo da luta pelos direitos humanos.


Em dezembro de 1970, incluído na lista de presos políticos trocados pelo embaixador suíço Giovanni Bucher, sequestrado pela Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), Tito foi banido do Brasil pelo governo ditatorial do general Médici e seguiu para o Chile. Sob a ameaça de novamente ser preso, fugiu para a Itália. De Roma, foi para Paris, onde recebeu apoio dos frades dominicanos.


Traumatizado pela tortura, Frei Tito submeteu-se a um tratamento psiquiátrico. Nas ruas francesas, ele “via” o espectro de seus torturadores. No dia 10 de agosto de 1974, um morador dos arredores de Lyon encontrou o corpo de Frei Tito suspenso por uma corda pendurada em uma árvore.


Foi enterrado no cemitério dominicano do Convento Sainte-Marie de La Tourette, em Éveux. Em 1983, o corpo de Frei Tito chegou ao Brasil. Cercado por bispos e um numeroso grupo de sacerdotes, Dom Paulo Evaristo Arns repudiou a tragédia da tortura em missa de corpo presente, acompanhada por mais de quatro mil pessoas. A missa foi celebrada em trajes vermelhos, usados em celebrações de mártires.


Vários trabalhos sobre a vida do religioso foram desenvolvidos, como o curta-metragem Frei Tito, dirigido por Marlene França, e a peça de Licínio Rios Neto: Não seria o Arco do Triunfo um monumento ao pau de arara?, em memória de Tito. Em 2014, Leneide Duarte Plon e Clarisse Meireles publicaram o livro “Um homem torturado – Nos passos de Frei Tito de Alencar”. Sanguis martyrum semen christianorum, crucifixus theologus.

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