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Entre fake news e intolerância religiosa: o desafio do voto consciente. Ponto de Vista Semanal - Frei José Fernandes, OP

há 6 minutos
3 min de leitura

Faltam seis dias para as eleições.

 

Dois diferentes projetos políticos estão postos. Um para ser confirmado e outro para ser rejeitado. É muita responsabilidade para nós eleitores e eleitoras.

 

O nosso voto com certeza fará diferença. Você sabe que o seu voto vale muito, mas não existe preço no mundo que pague, porque o valor dele é o valor de você próprio. Portanto, não venda seu voto.

 

Não compre o voto de ninguém. Fiscalize as eleições. Defender o Brasil não é extremismo, é responsabilidade histórica.

 

O período eleitoral passa. A república permanece, enquanto a democracia e a soberania precisam ser fortalecidas. É preciso lembrar a um candidato que adversário político não é plano de governo, como o que vimos ontem em Goiânia.

 

Aliás, com o candidato que está acusando a CNBB de produzir fake news. Outro aspecto muito importante para o qual precisamos ficar atentos e atentas, em especial nesta reta final, é. Muitas fake news vão circular através de WhatsApp, Instagram, Facebook, TikTok, vídeos editados, montagens e áudios falsos. E se não ficarmos bem espertos e espertas, isso pode influenciar o nosso voto, que acabará sendo baseado em mentiras, estimulando o ódio, a desinformação e diminuindo a confiança nas eleições e na democracia.

 

Portanto, antes de repassar uma notícia, verifique se a fonte é confiável. Em caso de dúvida, não repasse. Caro leitor, cara leitora, desconfio que existe um projeto articulado entre setores políticos e lideranças fundamentalistas para manipular o cristianismo com projetos de poder.

 

Vejam, há três décadas, um pastor chutou a imagem de Nossa Senhora. Nas vésperas do segundo turno das últimas eleições presidenciais, um grupo de apoiadores do então candidato derrotado provocou grandes tumultos e protestos no Santuário Nacional de Aparecida. Nos últimos tempos, em diversas regiões do Brasil, tem havido destruições de terreiros de Umbanda, como foi o caso recente da tenda do pai Joaquim em Iporá, interior de Goiás.

 

E nos últimos dias, estão ameaçando de caçar Nossa Senhora Aparecida de sua condição de padroeiro do Brasil, polêmica, aliás, que foi até para o TSE e o STF. A intolerância religiosa e o racismo religioso não cabem em lugar nenhum, assim como o Brasil não cabe em quintal de ninguém. Não é papel do Estado proteger, em especial, nenhuma religião e nem atacar nenhuma religião.

 

Somos um povo, um país de muitas raças, muitas etnias, muitas culturas e muitas religiões. Somos um país que cabe todo mundo. O Estado brasileiro é laico e, como tal, deve garantir a liberdade religiosa, respeito e direitos iguais para todas as pessoas, independentemente da fé que professam.

 

Fé que, por sinal, tem muitas expressões, muitos ritos, e não pode ser moeda de troca ou conchavos políticos. Outro alerta não menos importante. Vamos levar muito a sério também a eleição de representantes para o Legislativo Estadual e o Congresso Nacional.

 

Quem for governar precisa de uma sólida base de apoio no Legislativo. Estão claras estas questões? Penso que sim. Então ajude outras pessoas a também entenderem o que está em jogo, o que está em risco.

 

Exerça a sua cidadania. Além de votar, provoque rodas de conversas para ajudar quem ainda está um pouco tapado, tapada. Vote, e vote consciente.

 

Tenha muita lucidez.

 

Leitores e leitoras, desejo-lhes uma abençoada semana.


📻 📺 O “Ponto de Vista” é, originalmente, um programa de rádio, veiculado, às segundas-feiras de manhã, pela Rádio Difusora de Goiânia. Nas segundas à tarde, o programa fica disponível na TV Causas da Vida


 
 
 

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